Recuerdos de Caracas

Coleção particular daqueles momentos assim que a gente vira e diz 'Caracas!'.

Slumdog Millionaire, Novela 3 e o destino

Acabo de voltar do cinema. “Quem quer ser um Milionário” é um filme muito bom. Faz jus tanto aos 8 Oscars que ganhou ontem quanto aos R$ 18 que eu paguei. Uma vez que não sou mais estudante, nem trambiqueiro… =P

A história é incrível, envolve desde as primeiras cenas e me lembrou de muitos outros filmes, entre os quais minha memória RAM citaria agora: Viagem a Daarjeling, Magnolia, Matchpoint… aliás, achei esse um roteiro bem propício para uma direção Allen. Certamente o resultado seria mais lírico e mais debochado que a direção Boyle (que também não decepcionou em nada).

Saí de casa sem noção alguma do que travata o filme, nem que era indiano, fui pelas estatuetas e porque um amigo disse que era Five Star. Engraçado é que minutos antes, tava vendo a novela 3, digo novela das oito (novela 3 é coisa de mídia offline …rs) que basicamente também ocorre na Índia e tem lá o Marcio Garcia empatado de ficar com a Juliana Paz porque ele é um Intocável e ela não.

Não vou falar muito do filme devido a possibilidade de algum leitor não ter visto o filme, tampoco hablaré da novela da Glória Perez, pois essa eu não sei mesmo. Vi poucas cenas. Necessárias para saber que a conversa do Destino está sempre lá.

Wikipedia (…)  O destino é muito usado para tentar explicar o absurdo dos acontecimentos existênciais (na acepção, absurdo deve ser traduzido algo não-explicável no âmbito do conhecimento homo sapiens utilizando-se do método científico), assim também, como a responsabilidade dada as divindades para tais acontecimentos.

O sentimento que fiquei depois do filme, que me acompanhou passos afora pela Paulista do Center 3 até aqui em casa e motivou esse post, é que compramos essa realidade pronta do oriente, mas as vezes estamos presos em realidades tão perversas quanto essa aqui no nosso mundinho e nem percebemos?

– MAS COMO, ALESSANDRO, SEU MALUCO, PÁRA.

É verdade. Olha só: achamos “bonito” o amor dos personagens da novela, impossibilitado pelas castas indianas, shakespeare mode on, e até achamos bizarro o fato de uma pessoa ser prometida a um marido que nem conhece pelos pais. Achamos bizarro o fato dessas pessoas estarem irremediavel e assumidamente presas nesses destinos (tortos?).

Mas não olhamos pra nós mesmos, que vivemos uma (falsa?) sensação de liberdade enquanto estamos presos em nossos destinos (certos?)  por outros nós que não esses do amor, nós que outro filme bem elucidou nas suas primeiras linhas.

Sim estou falando de Trainspotting. Curiosamente também dirigido por Danny Boyle. [Não, não pensei isso de propósito.]

Escolha uma vida
Escolha um emprego
Escolha uma carreira, uma família
Escolha uma tv grande, máquina de lavar, carros, cd player, abridor de lata elétrico
Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário.
Escolha prestações fixas para pagar.
Escolha uma casa, ter amigos
Escolha roupas e acessórios.
Escolha um terno feito do melhor tecido.
Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá… e ficar vendo tv. Comer um monte de porcaria.
Escolha uma família e se envergonhar… dos filhos egoístas, que pos no mundo para substituí-lo.
Escolha um futuro.
Escolha uma vida.

Enfim, a única coisa que posso dizer é:  ME DEIXA, CALVINO. ME DEIXA QUE EU NÃO FIZ MACKENZIE. GRAÇAS A DEUS.

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3 Comentários»

  bruno chenque wrote @

Não sei se estamos presos a um destino, mas prefiro acreditar que existem diversas linhas pelas quais posso andar de acordo com minhas escolhas.

gostei da reflexão!

  Fer Martins wrote @

Não vi o filme ainda.

Sobre o destino, acho que a gente segue o que quer e lida com consequencias pré-determinadas. Consequencias, essas, completamente ilógicas e esquizofrênicas (como o Joaquim Phoenix e o mocinho da novela das 8), já que dependem não só as SUAS escolhas, mas das minhas, do Chenque, do Obama e até do Aqualungue, o mendigo da Casper.

Efeito Borboleta mode: on.

  Rueiro Verde wrote @

Destino de cú é papiro egipcio.


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